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:: Artigo jornal O Dia – 26.05.06

 

Autor: Silvia Morgensztern

Dan Brown garante logo no início de O Código da Vinci que “todas as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos neste romance correspondem rigorosamente à realidade”. Com isso ele qualifica sua obra de romance histórico e rejeita o rótulo de mera ficção. Trata-se de uma discussão que está mobilizando a Igreja e a Opus Dei, com as quais Brown comprou um grande briga até certo ponto saudável, como mostram os números.

O livro de Dan Brown já vendeu mais de 40 milhões de exemplares em todo o mundo e é considerado um dos maiores fenômenos literários dos últimos anos. Certamente não é por acaso. Além de abordar um assunto polêmico, o autor utiliza uma eficiente técnica narrativa que consegue prender o leitor do começo ao fim numa mistura de elementos como enigmas, códigos, mistérios, chaves secretas.

O livro se presta a várias leituras e não deve ser compreendido apenas pelo seu lado polêmico. Mesmo porque as revelações secretas do Código não trazem grande novidade, outros livros já falaram sobre a hipótese de Jesus não ter morrido na cruz e sim fugido com Maria Madalena e a filha dos dois, Sara, para a França, onde teriam dado origem a uma linhagem sagrada.

O mais importante, e que em meio a toda essa polêmica passa quase despercebido, é observar a crítica que Brown faz nas entrelinhas de seu livro à intolerância que através desses dois milênios provocou uma quantidade espantosa de assassinatos em nome de Deus. Tantos morreram por não aceitarem a imposição de um único Deus verdadeiro, uma única fé e uma única forma de praticar sua religiosidade.

Em uma época de grandes e importantes descobertas científicas e de provas autênticas sobre as origens do ser humano e de suas crenças, o que parece menos relevante é traçar um abismo intransponível entre o que é ficção e o que é realidade. Não existem respostas claras e reconfortantes, a responsabilidade está em cada um de nós. No entanto, a palavra ficção, que nesse caso se aproxima de criação fantasiosa, ou mentira, parece bastante conveniente para os crentes, que assim podem respirar aliviados. Nada haverá de ameaçar a sua fé.

Silvia Morgensztern
Jornalista e mitóloga

WWW.CONEXAORH.COM.BR

 

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